Década de 70. Não lembro bem se início, meado ou final. Lembro bem dos militares no poder e da TV Rio, canal 13, nos seus estertores. Já não funcionava mais na Avenida Atlântica, onde hoje se situa o (Sofitel) Rio Palace Hotel. Tinha se mudado para o alto de um morro de Ipanema, onde havia as instalações inacabadas do PPH, o Panorama Palace Hotel, hoje um Brizolão.
Bem, a TV RIO estava lá em cima. Cheia de dívidas. Dia sim, dia não, ela saia do ar porque os inúmeros credores, através de mandados judiciais, conseguiam confiscar o cristal da torre de transmissão.
Num desses dias que conseguiu funcionar, colocou um telejornal com aquelas notícias de quem já não tinha mais equipe de jornalismo e o locutor lia as notícias dos jornais do dia ou aquelas que tinha acabado de ouvir no rádio.
O apresentador se despediu, dando boa noite aos telespectadores - se é que havia mais algum além de mim - quando lhe passaram uma notícia de última hora. Voz impostada, tom solene, iniciou a leitura:” faleceu no início da tarde o general fulano de tal, vítima de um enfarte ( ... ) O corpo está sendo velado na capela 4 do cemitério São João Batista. O enterro vai ser realizado amanhã às 10 horas. Boa noite.”
Pensando já estar fora do ar, começou a batucar na bancada e a cantar: “Morreu, morreu / antes ele do que eu... /Morreu, morreu / antes ele do que eu...”
Choveram telefonemas de ameaças e protestos das autoridades militares. Mas, tudo terminou bem. Ninguém morreu, sumiu ou foi preso por causa disso.
Muitos anos depois, conheci autor dessa proeza trabalhando no departamento de Rádio, TV e Cinema de uma agência de publicidade.
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