Corpo atlético, quase 1,90 m, moreno, olhos verdes, descontraído, Ed – que o pessoal mais chegado descobriu chamar-se Edmílson para seu infortúnio – conseguiu sem maiores dificuldades empregar-se como vendedor de uma sofisticada loja de roupas de grife.
Pouco mais de dez dias trabalhando, Ed dirige-se todo solícito para atender a uma cinqüentona que acabara de entrar na loja. Perua e esposa de um ex-ministro, apontou para um shortinho na vitrine e pediu manequim 38. Apesar da pouca experiência, Ed avaliou que, com boa vontade e algum esforço, ela caberia num 42. Daí pra cima. Mas, não discutiu. Entregou a peça para a senhora que se dirigiu ao provador. Do lado de fora, ele, a gerente e a outra vendedora, continham o riso ao imaginar a cliente se espremendo toda para atochar celulites, gordurinhas e o culote naquele short.
Alguns bons minutos depois se abre a cortina: a dondoca caminha em direção ao Ed e, de dentro do short, respiração meio presa, diz quase sussurrando:
- Por favor, rapaz, está dividindo? Embaraçado, mas bem treinado, Ed foi descendo seu olhar até pouco abaixo do umbigo da mulher e prontamente respondeu:
- Não senhora. Está ótimo... ficou perfeito!
- Mas, está dividindo ou não? Ed repetiu o olhar e a resposta. A cliente explodiu de indignação:
- Olha aqui seu moleque sem-vergonha... tá pensando o quê? Eu só estou querendo saber em quantas vezes vocês dividem no cartão ou no cheque...
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