Diamantino, torcedor fanático do Fluminense. João, seu irmão mais novo, também tricolor, o cara mais sacana, espirituoso e boa-praça que conheci. Moravam com os pais num enorme apartamento de frente para a praia de Ipanema. Cada cômodo da casa tinha uma extensão de telefone.
Dia de jogo do Fluminense. Se não me engano contra o São Raimundo, lá de Manaus. Tempos difíceis para o clube das Laranjeiras, que brigava para ser campeão da terceira divisão e voltar para a segundona do Campeonato Brasileiro.
Hora do jogo. Diamantino ansioso, agitado, liga a tv no canal pay-per-view. Nenhuma imagem. Corre para o telefone para reclamar ao mesmo tempo em que João pega na extensão do seu quarto para ligar para a namorada.
- Alô?
- Alô?
- Eu contratei a transmissão do jogo do Fluminense, mas não estou recebendo as imagens...
- O jogo do Fluminense? A gente não vai transmitir mais não!
- Como não? Eu paguei...
- A emissora decidiu que não vai mais passar jogos desse timinho de merda...
- Que timinho de merda, rapaz? Como é que você fala assim do Fluminense...? Você não pode falar isso do Fluminense. Sou assinante, já paguei, quero assistir e vocês têm que me prestar o serviço... Quem é que está falando aí que vou fazer uma reclamação...?
- O senhor pode reclamar com quem quiser, mas jogo desse timinho de merda não passa mais aqui!Diamantino bate o telefone na cara do João, que se dirige para a sala e encontra o irmão vermelho de raiva, à beira de um ataque de nervos, falando com os pais do absurdo que acabara de acontecer, que ia tomar providências, coisa e tal. Só revelou que era ele quem estava do outro lado da linha, quando o Diamantino já estava ligando de novo para esculhambar a emissora.
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