quarta-feira, 17 de setembro de 2008

IGNORÂNCIA

Fernando era gênio. E como tal tinha suas manias, paranóias e excentricidades. Entre outras atividades, dava aulas de Física Quântica e Matemática para os professores do renomado IME – Instituto Militar de Engenharia.
Certo dia, resolveu convidar um amigo para assistir a uma dessas aulas. A princípio, Jorge resistiu, argumentando que não tinha nada a ver, que iria atrapalhar e, além do mais, não tinha terminado nem o segundo grau (ensino médio). Fernando insistiu e ele acabou indo.
Deslocado, meio sem jeito, Jorge foi sentar-se lá no fundo da sala, repleta dos mais bem preparados e brilhantes alunos do país, entre os quais vários oficiais. Fernando discorreu sobre os aspectos filosóficos da matemática, apresentou teorias, desenvolveu no quadro negro inúmeros raciocínios que as comprovavam. Uma hora e meia depois, platéia atenta e calada, Fernando se dirige à Jorge perguntando se ele tinha entendido. A turma inteira vira-se para trás querendo ouvir a resposta daquele estranho no ninho, que usava cabelos compridos presos por um rabo-de-cavalo. Alguns tinham um certo desdenho em seus sorrisos. Acanhado, voz baixa, Jorge disse que não tinha entendido absolutamente nada.
- Não se preocupe nem se envergonhe. Nenhum deles também entendeu coisa alguma. – dispara Fernando na maior tranqüilidade, juntando seus livros e encerrando a aula.

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